Ai, o amor.
Eu queria um amor, um não, vários deles.
Cada um de um jeito que me agrade
Cabendo no que por mim é considerado digno
De companhia.
Quero um amor pra compartilhar filmes bacanas, músicas densas, e conversas com intenso teor de conhecimento. A este, chamaria amornário, mistura de amor com dicionário. É, sei que pode e parece bizarro, mas eu gosto mesmo assim. Com esse amor, falaria sobre os mistérios da vida, ciência, política, astrologia e não deixando nenhum instante de lado, antropo e filosofia.
Tem também o amor largado, aquele preferido meu. Um cara doido, engraçado, não carece de beleza, nem físico estupendo. Prefiro magricelo, com barba, cerrada, a fazer, a La Wolverine, cabelo bagunçado, roupas estranhas, largadas, piercings e tatuagens por todo o lugar. Gosto musical exótico, louco por guitarra, violão, gaita blues, baixo, bateria, ou até mesmo cavaquinho, vai saber. Pode ser cantor, amador, profissional ou de banheiro. Pode ser louco por reggae, jazz, rock e tudo o mais que me induz encantamento.
Agora, tem que ter sorriso bonito. Com ou sem dente, prezo por sorrisos e bem dados. Sejam eles por ver um episódio de Chaves, Os simpnsons, comédia MTV, ou melhor, por qualquer outra bobeira do cotidiano que nos faz rir muito mais do que qualquer artista de stand up comedies.
Tem que conseguir muita, mas muita gargalhada dessa feirurinha aqui. Ah se tem.
O cara pode ser banguela, dentes falhados, montados, embolados, incoerentes, mas a alegria emanada tem de haver.
Sabe do que eu gosto também? De cheiro.
Tem que ter um cheiro bom. Não precisa usar perfumes de marca, nem coisa parecida. Não precisa nem ser Avon ou O boticário, basta ter um cheirinho que agrade. Pode ser de talco, alfazema ou colônia Jhonson, tanto faz, mas tem que ter cheiro de amor, amor novo e aromático.
Não precisa ser muito romântico não, nem cobro romantismo de ninguém. Com o tempo a gente passa a ser tanta coisa que há dias nem se imaginara ser. Pois bem, meu romantismo desastrado certeiramente impregnará em qualquer um deles.
E quem liga pra flores, quando se tem verduras e frutos que podem substituí-las. Ah sei lá, o cara nem precisa abrir a porta do carro(isso se tiver carro adoro bicicletas, juro), nem mandar presentinhos e coisa e tal. Se eu receber uma mensagem falando que viu algo bacana que fez se lembrar de mim já me agrada. Baita romantismo. Na boa.
Gosto de ligações, mas não muitas. Gente pegajoso demais causa náusea. Me ligue as vezes, se puder, se tiver credito, se não, tudo bem. Eu entendo essa vida da pobreza, vivo nela.
Ah, não precisa mandar depoimentos lindos, escrever recados fofos com letras de músicas clichês, nem me importo com isso, na boa. A gente nem precisa publicar o relacionamento. Nem se arrumar pra tirar fotos lindinhas e pôr nas redes sociais. Quem se importa com isso?
Cara tem tanta coisa melhor pra se fazer.
Não precisa andar de mãos dadas, as minhas mãos soam, isso é sério. Nem ficar me abraçando demais também. Eu gosto de abraço mas não sempre. Entende? É como se gostasse e não gostasse. Não sei. Mas já briguei muitas vezes com uns pseudo lovers por causa de abracozinhos inapropriados, pelo menos pra mim.
Também não quero você na minha casa sempre, todo dia, sei lá, acho isso ruim pra burro. Porra, e meu espaço? Cadê? Cadê? É mega chato. Tambem ja briguei por causa disso. E olha que com esse eu amava, quer dizer.. nem sei mais que merda é amar, mas tudo bem.
Eu quero ter alguém pra conversar sobre uns livros legais. Poder sugerir alguns e ler outros aceitando sugestões.
Quero poder inventar doces, salgados ou até mesmo fazer a velha farofa de Josefina pra comer junto com alguém.
Quero falar do meu dia, poder chingar, brigar, mandar ir tomar nos orifícios e ainda assim sentir um querer bem.
Quero poder ter alguém pra pensar, porque quando falam em amor, parece que tem alguma coisa faltando aqui. E eu fico danada com isso. Porque porra! Eu tenho tanta gente que eu amo por perto e bem nessas horas parece que não tenho ninguém. Bate uma onda de solidão, que, bicho, me segure.
Mãe, pai, avó, avô, irmã, primos, amiga, amigo, melhores, somem, vão pro espaço e só fica a vontade de ter um xodózin, um mancebo pra dançar um forró bom assim que tocar ou até mesmo sem música nenhuma.
Quero ir a algum lugar e me lembrar que tem um cara que me faz bem e que gosta de sei lá, nuguets, dragon Ball z, pipoca caramelada ou qualquer outra dessas merdas.
Quero amar, e poder olhar pra alguém e dizer: te amo, porra. Muito e sempre. Pouco e passageiro. Quero ter você por perto por uns dias, ou uns meses, e quem sabe até uns anos. Ou não. Vai saber. Quem entende?
Quero alguém pra complementar toda e qualquer coisa que deve estar fora do lugar por aqui.
Amém.
Tchau.
Merda.
Cadê?
Não tem ninguém.
Um comentário:
Adorei e me diverti muito lendo isso, de verdade. Beijo
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