18.4.11

Por você, eu deixo-me, deixo à tudo.
me decomponho,
me pinto,
viro índio,
dou adeus a meus farrapos
vou pra rua
viro pedinte
me abrigo numa ponte.

Imito dançarina do gugu,
quebro até o chão,
chego de voadora
te defendo
te abrigo
firo e me deixo ferir, por você.

Doo sangue,
órgão,
entrego meu coração pra 'restaurar' o teu.
te empresto minha alegria,
te calço os pés quando eles estiverem descalços.
te dou agasalho, meu abrigo, quando estiver frio.

te encho a barriga com docinho e suco diário,
divido meu riso,
te entupo de abraço apertado,
te chamo de diva, amiga, irmã, querida
e mais do que quiser.

te escrevo um poema,
eu pulo na rua,
danço na esquina
escoro no poste,
canto, grito,
rio alto pra te contagiar.

Conto minhas travessuras,
bobagens,
e sonhos pra ver tua reação.
Te roubo o juízo,
te escuto, te apresso
tenho apreço por tua franqueza
e organização.

Critico contigo,
mulher da boina, rapaz tomate,
barriga gigante e beiço lindo.
Escutamos bandas exóticas,
reparamos em pessoas eufóricas,
pra que depois, gargalhadas
venham à tona.

Eu quero que você compreenda,
o que vem de você é poesia,
seja por encantamento,
alerta, reflexão, chagas,
não deixa de sê-la.

É poesia pois ao me lembrar de você,
o sentimento que floresce
é sublime,
incontível
e de tão lindo, me dói.

Um comentário:

Tâmara disse...

Que coisa mais linda! Adorei! Cê sabe que é recíproco, né? Te amo muito minha amiga, irmã, prima...