30.12.10

o gosto do profano

marcaram a hora do abate
é demais pra mim
não sei se fico, ou se parto
me acato, ou me lanço
sem dó nem piedade
nem pena
mas coragem
ah! muita coragem
determinada a ir, e só
sem medo
mesmo que o fim venha a ser...
nada
sem se preocupar com o fim
pra que fim?
nem bem conquistei o meio-inicio
ora, vá, vá
tem uma parte frouxa, mas tão fuleira aqui dentro
que dá vontade de jogar da ponte abaixo
e ao invés de jogá-la
vou-me jogar,
eu, toda,
mergulhando onde ainda não submergi
onde não mergulhei
onde não vi,
vivi
onde não iria há tempos atrás
e que agora vou
já estou lá
ê laiá,
na lama
afundada,
aos trapos
me vou, me fui, me fudi
e gostei, ah se gostei.

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