14.10.10

1° Diálogo

Após horas e horas sem nenhuma palavra solta, sentados se entreolhando. No ar, a contemplação, de um para com o outro,
e em meio à olhares e mais olhares, ela se cansa e diz:
- Quando me olha, o que vê?
- Hã?
- Quando me olha, o que você vê?
- Ora, por que isso agora?
- Não exite. Ande, o que vê?
...
(Minutos de observação por parte dele e..)
- Sinceramente?
- Sim.
- Não vejo nada.
- Nada? Como nada? Como pode? Como pôde?
- Não consigo ver nada.
- Os meus olhos, eles não te dizem nada?
- Hum... Não!
- Está me dizendo que vivi toda uma vida pra ser vista como um nada? Um conjunto solitário, vazio, sem valor algum? Oh céus, Nada, Nada. Tens ideia do poder dessa palavra?
- Compreendo sim. Mas não consigo ver mais nada além do nada que vejo em ti.
- Que triste, meu fim.
- Ei, se acalme. Também não é pra tanto. Talvez o problema esteja em mim, talvez eu não consiga vê-la como deveria. É isso, só pode ser isso. O nada sou eu, que mesmo sabendo o quão importante és, não a reconheço.
Tens um alto grau de complexidade, invisível aos olhos, tua grandeza não cabe em meu subconsciente, consciente, imaginação.
- Não. Não queira reverter a situação.
- Não quero, apenas pude vê-la de um eixo diferente. Perdoe-me. Foi um equívoco.
- Ora, não diga isso caro amigo, Sei que estás querendo me animar com toda essa fala.
- Não, não quero. Como disse, pude ver a situação de uma maneira diferente, e é a maneira correta. Creia.
- Tudo bem, acredito. Talvez você esteja mesmo precisando de óculos.

Obs. : Nunca havia criado um diálogo, mas até que gostei da experiência de fazê-lo.
Não sei se fui feliz em minha tentativa, mas me agradou o processo de produção.
Estou a espera de críticas e dicas, ok? Um beijo à vocês

2 comentários:

Mateus Sonegheti disse...

Parabéns pelo diálogo, achei ótimo. É necessário que se veja o que querem mostrar, foi a lição que tirei do seu texto :]

Mas achei que ficou muito bom, uma criticazinha suave. Parabéns :]

Moa disse...

"O essencial é invisível aos olhos"
(A. Exupéry)