22.8.10

História do descobrimento

Há dias em que, ao me olhar no espelho
não me (re)conheço mais
olho no fundo dos meus olhos
e vejo uma história, cheia de dias bem vividos,
sonhos esquecidos, e vontades a realizar.
Ao olhar meus lábios,
percebo quantas vezes pude sorrir,
e me recordo dos amigos que fiz,
os que ainda estão comigo,
e os que a vida fez questão de levar com o tempo.
Passo a observar minha testa,
e lembro quantas vezes à franzi, por chateações cotidianas.
Percebo minha olheiras, e recordo das inúmeras noites sem dormir,
algumas por necessidade e outras por descaração e vontade, apenas.
Olho minhas orelhas, e passo a contar quantos brincos ela possui,
e me vejo em cada dia que furei-a com cada um deles.
E, mais, me ponho a ir mais fundo, atingindo meu ouvido,
e recordando-me de quantas palavras já me foi permitido ouvir,
umas, com sua energia boa, me permitiram crescer como pessoa,
outras, nem tanto.
Ao olhar minhas poucas espinhas, vejo os sinais da juventude,
do amadurecimento, da puberdade indo embora.
Passo a me observar como um todo, e vejo como pareço com meus pais,
cada traço, detalhe, que me faz vê-los em mim, sem perceber.
Aparentemente, me pareço com a Carol de 5,
10, 15 anos passados.
Mas o que me indigna,
é ver que mesmo com tantas semelhanças físicas durante toda a vida.
dentro de mim,
não sou a mesma de horas atrás.

Quem modelou teu rosto ?
Quem viu a tua alma entrando ?
Quem viu a tua alma entrar ?
Quem são teus inimigos ?
( Descobrimento do Brasil - Legião Urbana)

2 comentários:

Leonardo disse...

Uma completa dissecação da Carol. E voltando a boa irregularidade dos versos. Não tem motivo para não gostar. Um forte corte transversal do ser [nossa to filosofando rs], mostrando-se desnuda de máscaras, fantasias que possam ocultar te ocultar. =]

Carol disse...

obrigada, querido! =]