31.8.10

Exaustão

Tenho tido muito medo.
E isso tem me atordoado.
Não são medos convencionais, são medos até então nunca tidos por mim.
Medo do que tenho ouvido, do que me falaram,
das escolhas, planos e até dos mais ousados sonhos.
Medo de estar sozinha, ficar sozinha, viver sozinha.
Medo de ter sempre o tédio como companhia, e não saturar mais.
Medo do além, do real, e do intermédio.
Medo de ferir, ser ferida, machucar, me machucar.
Medo de me despi, levar um tombo e não ter forças pra me reerguer.
Medo de perder, vendo tudo ao meu redor, ganhar.
E ser deixada pra trás, não recuperando mais, nunca mais.
Medo do amor, de não saber mais amar,
Da sorte querer dar ao azar, seu lugar.
Medo das minhas suposições serem vãs,
Não ser acrescentada em nada,
E minha alegria permanecer tão escassa, como agora.
Meus lábios, rochosos
E minha alma, tão seca quanto o sertão.

Um comentário:

Leonardo disse...

São alguns contrastes surgindo. Excelente texto, talvez o melhor até agora. E acho muito legal você colocar fotos suas relacionadas ao que você escreve. Principalmente no post "Pedaço de mim", um pedaço seu lá. =]